quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Escassez de alimentos? Gaza exporta comida para Europa

Do jornal palestino Ma'an:
GAZA (Ma'an) - Trinta toneladas de batata-doce foram exportadas de Gaza para a Europa pela primeira vez desde que Israel impôs um cerco na Faixa, disse o Ministério da Agricultura nesta segunda-feira.

Outra notícia do Ma'an informa que além de exportar batatas para a Europa, Gaza ainda exporta peixes e vegetais frescos para a Cisjordânia.

Este deve ser o primeiro "campo de concentração" do mundo a exportar comida...




quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Diretor de canal de televisão católico em Belém fala sobre o estado do cristianismo nos territórios palestinos

Samir Qumsieh, diretor da estação de televisão católica al-Mahed Nativity TV em Belém é entrevistado sobre o estado do cristianismo nos territórios palestinos. 
A entrevista foi concedida ao Asia News
Neste Natal em Belém, a cruz foi proibida como lembrança para turistas e peregrinos na Terra Santa. Algumas oficinas têxteis em Jerusalém e Hebron começaram a imprimir e vender camisetas com imagens Igreja da Natividade em Belém sem a cruz. Devido ao crescimento do fundamentalismo islâmico nos territórios palestinos, a cruz também foi removida de camisetas de times de futebol. Entrevistado pela agência AsiaNews, Samir Qumsieh, jornalista e diretor da emissora de televisão católica Al-Mahed Nativity TV em Belém, disse: "Eu quero lançar uma campanha para exortar as pessoas a não comprar esses produtos - diz ele - porque a retirada da cruz é uma intimidação contra os cristãos, é como dizer que Jesus nunca foi crucificado."
Qumsieh ressalta que 2002-2010 a população cristã de Belém caiu de mais de 18.000 para 11.000 pessoas. Em Gaza, depois que o Hamas chegou ao poder em 2006, os cristãos perderam cerca de 3.200 pessoas -- de 5000 para menos de 1.800 em 2010. Apenas 15.400 cristãos (2% da população) vivem em Jerusalém, como relatado em um estudo realizado pelo Jerusalem Institute for Israel Studies. Eles são 50% menos do que os 31 mil moradores registrados em 1948, quando os cristãos representavam ​ 20% da população da cidade...
O repórter diz que se esse êxodo continuar não haverá mais católicos na Terra Santa e que um dia a Igreja da Natividade poderá se transformar em um museu. "Se não houver mais cristãos na Terra Santa então não haverá mais cristãos em lugar nenhum." 

Cristãos, os refugiados palestinos esquecidos

Por Daniel Schwammenthal*

Encontro Yussuf Khoury, um refugiado palestino de 23 anos de idade. Não, ele não é um desses descendentes de refugiados que nasceram em campos administrados pelas Nações Unidas que jamais pisaram em sua alegada terra natal, mantidos na miséria eterna como arma publicitária contra Israel. Yussuf Khoury realmente fugiu de sua terra natal há apenas dois anos. Ele não estava fugindo de israelenses, mas de seus ‘irmãos’ palestinos em Gaza.

O crime de Khoury, no território administrado pelo Hamas, era ser um cristão. E essa grande transgressão foi agravada – aos olhos dos muçulmanos – quando souberam que ele escreveu poemas de amor.

Antes de fugir de Gaza,”muçulmanos do Hamas tentaram me raptar duas vezes”, diz Khoury. Ele não quer saber o que teria acontecido se tivesse sido sequestrado. Ele não vê sua família desde o Natal de 2007 e tem medo até mesmo de falar com eles por telefone.

Falando a um grupo de jornalistas estrangeiros na Faculdade Biblíca de Belém, onde reiniciou seu curso de teologia cristã, Khoury descreve uma vida de medo em Gaza. “Minha irmã está sob muita pressão para usar um véu. As pessoas estão se voltando cada vez mais para o fundamentalismo islâmico e a situação dos cristãos está muito difícil”, diz ele.

Em 2007, um ano após o Hamas ter assumido o poder, o dono da única livraria cristã de Gaza (Rami Khader Ayyad, de 32 anos) foi sequestrado e assassinado – encontrado morto com diversos tiros na cabeças e seu corpo com diversas perfurações a facas. Lojas e escolas cristãs foram bombardeadas. Não é de se admirar que a maioria dos amigos cristãos de Khoury também deixaram Gaza.

Nas raras vezes em que a midia ocidental divulga a situação dos cristãos nos territórios palestinos e em outras em sociedades árabes é para acusar Israel e seu “muro de separação”. No entanto, até que grupos terroristas palestinos começaram a usar Belém como refúgio seguro e trampolim para ataques suicidas à Israel. Antes, os habitantes de Belém eram livres para entrar e sair de Israel quando desejavam, com as mesmas facilidades com que muitos israelenses rotineiramente visitavam Belém.

Outra verdade, geralmente ignorada pelo Ocidente e raramente divulgada pela imprensa, é que a barreira de proteção ajudou a restaurar a calma e segurança não somente em Israel, mas também na Cisjordânia, e Belém. A Igreja da Natividade, que terroristas palestinos invadiram e profanaram em 2002, para escapar das forças de segurança israelenses, está novamente cheia de turistas e peregrinos de todo o mundo.

No entanto, mesmo na cidade onde Jesus nasceu, que está sob o controle da Autoridade Palestina, os cristãos vivem diariamente no fio da navalha. Khoury diz-nos que “…frequentemente os muçulmanos ficam em frente do portão do Colégio Biblíco, lendo o Alcorão em voz alta para intimidar os estudantes cristãos. Outros muçulmanos colocam seus tapetes de oração na Praça da Manjedoura.” Perguntado sobre o motivo dos muçulmanos rezarem tão perto de um dos lugares mais sagrados do cristianismo, o Pastor Alex Awad, decano dos estudantes da Faculdade Biblíca, diplomaticamente, aconselha-nos a apresentar esta questão aos próprios muçulmanos. Consciente da precária situação de sua comunidade, ele, como a maioria dos representantes dos palestinos cristãos, faz uma pausa e salienta que “…qualquer problema que os cristãos possam ter com seus vizinhos muçulmanos, não é culpa da ANP”.

“Os muçulmanos e os cristãos vivem aqui em relativa harmonia”, diz ele a imprensa, acrescentando apenas que os cristãos “sentem a pressão do Islã… Existe intimidação e fanatismo, mas estes são casos isolados e não há nenhuma perseguição geral.”

Samir Qumsieh, fundador do que ele diz ser a única estação de TV cristã da Terra Santa, enfatiza que não há sofrimento “cristão” e que os problemas dos cristãos não são orquestrados pela ANP. No entanto, suas histórias de roubo de terras, espancamentos e intimidações pintam um quadro bem diferente. Se a Autoridade Palestina realmente não aprovam tais injustiças, por que faz tão pouco para reprimi-las?

Só recentemente alguns cristãos começaram a falar sobre como gangues de muçulmanos simplesmente invadem e tomam posse de suas terras, e como os serviços de segurança palestinos – formados em quase sua totalidade por uçulmanos – não fazem absolutamente nada para reprimir esses roubos.

O Sr. Qumsieh nos fala sobre um homem cristão que foi raptado e torturado por muçulmanos em Hebron, e que a polícia palestina, mesmo sabendo do ocorrido e dos autores do crime, nada fez. Sua própria casa foi bombardeada há três anos e os autores jamais foram capturados. “Nós jamais sofremos como estamos sofrendo agora”, confessa Qumsieh, violando a sua própria advertência introdutória aos correspondentes estrangeiros, para não usarmos a palavra “sofrimento.”

Sempre uma religião minoritária entre os palestinos predominantemente muçulmanos, os cristãos estão, nas palavras do Sr. Qumsieh, “derretendo-se”, até mesmo em Belém. A 60 anos os cristãos representavam aproximadamente 80% da população de Belém, hoje são cerca de 20%, e diminuíndo rapidamente. Isto é resultado não somente da alta natalidade dos muçulmanos como também pela generalizada emigração cristã.

“Nosso futuro como comunidade cristã aqui é sombrio”, disse o Sr. Qumsieh.

O mundo continua ignorando os cristãos palestinos. Por que o sofrimento de palestinos não imputável a Israel não está registrado na consciência coletiva ocidental é uma pergunta que poucas pessoas parecem dispostas a fazer.


* Daniel Schwammenthal é editor do The Wall Street Journal Europa

O êxodo cristão das terras controladas pela Autoridade Palestina

O número de cristãos em Belém, cidade onde Jesus nasceu, está diminuindo vertiginosamente. Em 1947, cerca de 75% da população da cidade era cristã, em 2000 era 40%, agora apenas 15%.
E, de acordo com algumas previsões, os últimos cristãos deverão deixar a cidade antes de 2025.

"Creio que em alguns dos vilarejos o número de cristãos é zero", disse à BBC Simon Azazian, integrante da Sociedade Bíblica Palestina. "Em Birzavit, por exemplo, 100% eram cristãos, depois caiu para 60%, agora são 40% e esse número continua baixando."

Alguns cristãos dizem que esse êxodo se deve ao fundamentalismo islâmico:
"Eles introduzem em nossa cultura e na nossa sociedade uma visão da religião que não tem nada a ver com o nosso contexto e nem com a nossa história", disse à BBC o sacerdote luterano Mitri Raheb. 
"Isto não é apenas uma ameaça para a comunidade cristã palestina, mas também para toda a sociedade palestina, já que tentam nos mandar de volta para a Idade Média", acrescentou.

Outros cristãos ressaltam que a decisão de ficar em Belém ou ir embora depende de vários fatores.
"Depende da situação política, que afeta a situação econômica", afirmou George Sa'ada, da Igreja Ortodoxa Grega.
"Antes, estimulávamos os jovens a ficar e trabalhar aqui, mas agora, lamentavelmente, não podemos obrigá-los a ficar porque querem ganhar a vida. Se não tem oportunidade aqui, claro que vão emigrar e procurar uma vida melhor fora", explicou.

Alguns temem que, dentro de 15 anos, os únicos cristãos de Belém serão os milhares de peregrinos que chegam durante o período de Natal.

Um grande número de cristãos árabes participa do movimento nacionalista palestino; por isso, quando têm que explicar a redução da população cristã na Cisjordânia e em  Gaza, preferem apontar para as difilcudades criadas por Israel (único país no Oriente Médio onde a população cristã cresceu) no contexto  dessa já secular disputa política. Há uma razão para que evitem denunciar  a verdadeira causa do êxodo. É a mesma razão que impede o Vaticano de falar  publicamente sobre o assunto. E a mesma que faz com que organizações cristãs,  no Reino Unido, por exemplo, também se calem. A razão é que, no contexto  da situação dos direitos humanos que prevalece em todo o Oriente Médio  muçulmano, protestar contra o mau tratamento da minoria cristã, pensando com isso defendê-la, é o meio mais certeiro de assegurar a piora do tratamento que ela recebe.


Phillip Hitti: novas e mais duras leis anti-judaicas e anti-cristãs durante o reino dos abássidas


território conquistado pelo califado abássida (750 - 1258)

Com a queda dos omíadas (umayyad), a hegemonia Síria no mundo islâmico se acabou, assim como os tempos de glória do país.
Os abássidas fizeram do Iraque o seu centro e de Kufah sua capital. A Síria se tornou apenas mais uma das províncias do califado abássida e, no século IX, novas leis anti-judaicas e anti-cristãs foram criadas.


páginas 154 - 155
Em 850 e 854, ele [al-Mutawakkil] reviveu a legislação discriminatória contra os membros das seitas toleradas [judeus e cristãos], complementando-a com novidades que faziam dela a mais rigorosa já emitida contra as minorias. Cristãos e judeus foram ordenados a fixar imagens de demônios de madeira em suas casas, a nivelar seus túmulos com o solo, a usar roupas amarelas e andar somente em mulas e jumentos com selas de madeira marcados por duas bolas parecidas com uma romã na patilha (parte posterior) da cela.
 ...após os decretos de al-Mutawakkil, muitas famílias cristãs da Síria emigraram ou aceitaram o Islã. Os convertidos foram motivados, principalmente, pelo desejo de escapar das dificuldades humilhantes e tributos e para adquirir prestígio social e influência política.


De acordo com Phillip Hitti, foi durante o califado abássida que todo o "mundo semita" foi arabizado.